segunda-feira

Fernando Pessoa

que com essa tua esquizofrenia és de um amor incalculável, consigo, porém a medo, adorar essa tua obra excêntrica de metáforas e pleonasmos. mas o que gosto mais em ti são os paradoxos, vá até agora apaixonei-me por um "poder ser tu, sendo eu!" e agradam-me estas aulas de português em que penso e repenso que se todos fossem como tu, eram puros, e de fácil lidação... e o que tornava tudo mais fácil era amar as pessoas pela obra produzida e não pelo seu criador. porque, honestamente falando, há pessoas que fazem uma bela merda e são lindas, e outros que são uma bela merda e saem de lá coisas lindas, ainda que forçadas. mas seria bom amar coisas e não pessoas, porque as coisas são imutáveis, perpétuas, eternas, e as pessoas mudam, "mudam-se os gostos, mudam-se as vontades" e tornam cada vez mais as coisas "à vontade do freguês". tu, Fernando, apesar de seres 30 num, eras 30 bem assinalados, e vivias uma vida de cada vez. e eras um ser louco sem medo... eras tu, e ser nós agrada-me bastante.


p.s.: mas nunca na vida queria eu ter sido Ophélia, nunca na vida...

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