terça-feira

a carta ao que magoou mais e da pior maneira

Para três pessoas: Luis, Rafael Marquês e eu mesma.
Luis, seca e fria como eu sei ser, sinto-me um bocadinho diferente por não te tratar pelo respectivo titulo, mas não o sinto como teu, nunca o senti sejamos sinceros. E agora quero ser directa contigo, dizer o que nunca te disse por falta de coragem. Há pessoas que devem permanecer imortais na nossa vida, que nos devem oferecer uma redoma de vidro que nos proteja, uma redoma chamada coração e peito amigo. Há pessoas que nos devem amar desde e para sempre, pessoas que não se devem importar com os nossos erros, nem com os nossos defeitos, pessoas que para elas somos sempre bonitas por muito sujas e pisadas que estejamos. Há pessoas que para elas devemos ser o mundo, devemos ser tudo. Há pessoas que deviam ser assim, tu eras uma delas. Eu gostei de ti, aliás, eu gosto de ti, mas só porque sou obrigada, porque odiar-te é feio, porque já te amei, porque já fiz de ti um herói, porque já disse que dava a minha vida por ti quando tu nunca farias o mesmo. Eu só gosto de ti porque estou proibida de te odiar, mas guardo-te ressentimentos e só não sede de vingança porque já não sou bem assim, e admito que também por não poder. É feio tudo isso, mas lá no fundo sabemos que para mim é muito muito bonito. Mas não te guardo respeito, não te guardo o que nunca me deste, nem por as afinidades que temos. Tu magoaste-me, mas pior que isso foi nunca teres admitido, e ainda pior foi nunca teres pedido desculpa. Foste o primeiro, foste o pavio de todas as minhas combustões, foste, és e serás. Ninguém muda isso, nem tu mesmo com um pedido de desculpas e arrependimento nos olhos. Só lamentos que tenham falhado na tua educação, pessoas de quem eu sempre gostei. mas um dia vou-te dar o meu melhor sorriso, mostrar que sou bem melhor que tu, e numa única vez na vida sentir-me superior a alguém, descansa que não te piso, como já disse: é feio, muito mais para uma menina.
até um dia
Rafael, tu não poderias faltar em qualquer carta de dor, foste uma desilusão, não ''A'' mas uma. Levaste-me a muitos sítios bonitos por dentro. Foste dono do meu sorriso durante uma ano e meio. E no outro meio ano achaste-te detentor do meu coração e esmagas-te-o, deste-lhe voltas e voltas e voltas, e ele não aguentou, fartou-se e deitou-te a ti fora antes que o deitasses tu a ele. Pensei, contigo, ser verdade as histórias de príncipes encantados, fiz-te perfeito (não na minha mas) na tua imagem. Prometi que era tua para sempre, fiz juras de amor. Para no fim cravares hipotéticos punhais nas minhas hipotéticas costas. Foi assim e eu nunca me esqueço. A ti já não é feio odiar, a ti já não é feio insultar ou pisar, contigo já posso fazer como bem me apetecer por não termos qualquer tipo de afinidade. Mas olha, a ti também te guardo ressentimentos e um bocadinho de desejo de me vingar, por isso deixo-me ficar no meu cantinho.
adeus
Eu mesma.
Claro que não me odeio, não me vou vingar, nada disso. Mas tenho tanta culpa como eles por me ter magoado à séria... Só porque permiti. Contigo já terminei.
Um beijinho, e não voltes a deixar

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