quinta-feira

a carta a um ex qualquer coisa

Rafael José
eu não te quero dizer muita coisa, na verdade é porque também não tenho muito a dizer.
eu vou (tentar) ensinar-te uma coisa, sabes, eu não sou madura que nem mulher crescidinha e independente, eu não sou madura que nem mãe para um filho, eu não sou madura de me lançar a tubarões da sociedade, e orgulho-me de que o meu grau de maturidade não atinja tais níveis. mas o nível de maturidade não depende de tomarmos decisões como adultos, como os nossos pais, ou como fulano tal de não sei quantos anos toma. maturidade não depende de agirmos como esperam, mas sim de agirmos segundo a nossa vontade e ainda assim obedecer às normas que uma sociedade convicta de ideais. maturidade não depende de quantos problemas trazemos nós às costas, de quantos aguentamos, de quantas pessoas são, ou de não irmos abaixo em cada um deles. maturidade desenvolve-se ao saber lidar com cada um deles, em chorarmos se for preciso, em gritar se o desespero nos consumir, maturidade tem a ver com levar por tabela por sermos o colo amigo onde choram. maturidade tem a ver com sabermos ser nós com os outros. eu nunca exigi um adulto, só não pedi uma criança.
eu amei-te mas agora nem gosto de ti. porque não foste tu, não o soubeste ser comigo, erraste, tomas-te más decisões, mas não conseguiste remediar nada, e pedir desculpa não é remédio para as minhas doenças.

Adeus

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